quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Discurso de Formatura

Hoje véspera de formatura, pós semana de raiva, cansaço e reflexões...estou aqui, acordada cedo em um feriado. O que é quase inédito já que feriado combina com levantar as 12:30.
Fazendo o que? Procurando figuras, arrumando apresentações com fotos, tentando pensar em algo útil, inteligente e atraente para falar as crianças.
Pra isso começo a pensar no ano. E que ano!
Um ano que começou cheio de planos mudados em cima da hora e com elogios tapeadores do tipo, vc é flexivel, se adapta fácil as situações.
Primeiras reuniões difíceis, sala grande, bilhetes mal-criados, e eu com amor pequeno, me sentindo traída, com raiva, orgulho ferido, me sentindo menos.
Esta era uma sala que eu não queria, e acho que muitas coisas que aconteceram decorreram deste sentimento.
É claro, fui me apaixonando pelas crianças. Idade bonita, querida, sonhadora, sincera, carinhosa, divertida, alegre, dependente, curiosa, bagunceira, sensível....idade boa 5 anos. Cheia de promessas.
Este ano meu mural não foi o mais bonito, o mais criativo e legal. Eles simplesmente foram...e agora nem existem mais em minha sala.
Passeei pelo Campus com as crianças, brinquei no parque, ri em sala, me joguei na piscina, dei colo, limpei, de bronca, escutei, e 1 dia, só 1, eu chorei.
Choro sincero, daquelas rasteiras que a gente leva da vida. Chorei por algo que nunca imaginei permitir acontecer, chorei escondido das crianças e pessoas uma tarde inteira. Chorei em uma abraço de quem eu mais queria pedir perdão e escutei: Prô, eu te amo. Te amo pra sempre!
Hoje o sentimento ruim, de impotência, frustração, arrependimento, fraqueza de.. "ta me faltando o chão"...praticamente se foi. O perdão, pelo menos da minha aluna eu sei que tenho. O perdão que tinha que vir de mim...cada dia melhor e mais presente.
Mas outras coisas boas aconteceram também. Vê-los aprender a comer frutas, escrever os nomes sozinhos, melhorar o desenho, a fala, as amizades. Superar medos, adquirir confiança e coragem....é uma delícia!
Então me volta o pensamento do tipo de professora que fui.
Tem gente que me diz que me cobro demais, eu discordo, quem me conhece bem sabe que é só as vezes essa cobrança. Mas quando eu influencio e deixo marcas na vida de pequenas crianças tenho que me cobrar sim.
Não acho que fui a pior nem a melhor das professoras, penso que fui a promessa de quem fui um dia.
O que me resta é pedir perdão, pelas histórias maravilhosamente contadas, que deixei de contar, pelas brincadeiras que deixei de fazer, pela paciência ultimamente deixada de lado, pelas respostas nervosas, por me estressar por pouca coisa, pela falta do mural, pelos bolos que não fiz de surpresa do nada cheios de confete só pra ver todos lambuzados e felizes...enfim, perdão por perder um pouco da paixão de ser professora.
Sei que não fui de todo ruim, fizemos coisas fantásticas, disse coisas queridas, encorajadoras e carinhosas, cedi frente a lágrimas de tristeza e abraços carinhosos, ensinei o pato pato ganso e brinquei até o dia que minha coluna zicou de vez. Liberei as maquiagens, as trocas de roupas e apresentações. Comprei um diabolo pra ficar na sala e todos poderem aprender e brincar já que nem todo mundo podia comprar. Providenciei os tapetes de pista, liberei morro praticamente todos os dias, ajudei a escrever o nome, a amarrar o cadarço e esperar as tentativas de fazer sozinhos. Dividi o pedaço da maçã pra terminar logo de comer, experimentei os lanches sempre acompanhados do pedido: Prô, prova só um pouquinho. É gostoso. Recebi todos os tipos de presentes (pedras, folhas murchas, pedaços de papel colorido, etc) com a maior alegria, até pq sei que todos são de coração.
Mas além de pedir perdão tenho mais que agradecer o amor quase incondicional, os abraços e beijos depois das broncas e no meio da aula e parque. Os papos comigo em vez de irem brincar com os colegas. Os carinhos na cabeça e massagens. A paciência com a Prô cuca lelé, brava e maluca. Os lanches oferecidos e deixados em minha mesa, já que eu não havia trazido lanche nenhum. A disputa pra pegar na minha mão e ficar ao meu lado. A necessidade de mim quando tristes, saudosos e com medo. Os desenhos feitos em casa especialmente para me entregar na sala e os feitos ali na hora com corações, flores ou as cores preferidas só para me dar.
Agradecer por eles serem tão maravilhosos comigo, quando muitas vezes eu não fui.
Este ano eu não vou esquecer por muitas coisas, aprendi, relembrei, esqueci, mas tive 27 companheiros maravilhosos (alguns quase me deixando louca de verdade) durante esta jornada.
Espero ser uma lembrança boa, querida e não somente mais uma entre tantas lembranças mais ou menos que a gente tem.
É mais agora eu preciso terminar as coisas da formatura....e pensar no meu discurso que deverá ser de 3 minutos (incrível tempo de concentração dos meus alunos).

T+

2 comentários:

Kell disse...

Ahhhhhhhh... agora eu matriculo meus (futuros) filhos na sua turma.
hehehehehehehe

Unknown disse...

Oi companheira... desculpe ter me intrometido aqui, mas achei tão linda a sua mensagem... nem sei o que esperar do seu discursso.
Obrigada por td o que vc fez e me desculpe se não ajudei muito...

Ah! pode deixar que não conto pra ngm...