Já disse aqui que tenho uma aluna autista e semana passada ela não veio, nem retrasada pois estava com muitas crises auto lesivas (tentando se machucar) e qqr coisa fora da rotina podia irritá-la demais e desencadear as crises.
Hoje ela veio.
Pra não dizer que ela não veio nenhuma vez, no começo da semana orientados pela equipe que a atende, os pais a trouxeram pra ver qt tempo ela ficaria. Pra não perder o referencial da escola.
Só conseguimos que ela ficasse 10 minutos. Pra diminuir as crises, as doses dos remédios foram aumentadas e ela estava tão dopada que tinhas os olhinhos caídos e chorava fraco.
Conseguimos fazê-la subir as escadas na companhia da acompanhante e pais, mas não teve jeito ela quis ir embora. A mãe não se conteve e chorou. Ela sempre é a que demonstra mais qd as coisas não vão muito bem. O pai sempre com um sorriso no rosto estava muito abatido desta vez. Nunca havia visto ele assim.
Minha aluna começou o ano muito bem. Ria, estava mais participativa e cresceu muito. Todos muito empolgados com seu progresso e do nada ela regride. Não dá pra saber muito bem o que é.
Ela não fala. Demonstra na irritação e vc começa tentar adivinhar o que é.
Não é como um bebê.
E o pior, vc percebe o sofrimento no choro, no rosto e na atitude e não consegue se comunicar.
É lógico que temos recursos e a convivência vai nos dando pistas, mas as vezes é difícil. Não o trabalho, mas ver a criança em crise.
Mas o que me abateu de verdade não foi ver minha aluna dopada (isso foi muito ruim), mas a expressão de desanimo e angustia do pai.
Não havia absolutamente nada que eu pudesse fazer ou dizer. Nenhuma piadinha resolveria, palavra de conforto, nada.
Qd dei tchau pra eles e subi para o parque, pela primeira vez olhei as crianças diferente.
Não é minha primeira aluna com necessidades especiais. Mas naquele dia ver o sofrimento daqueles pais e minha aluna dopada daquele jeito, olhei as crianças e pensei na gratidão que os pais devem sentir em ter filhos "normais".
Os desafios são grandes mas o sonhos são diferentes, vão mais longe.
Ver meus alunos brincando, sorrindo, interagindo, subindo no escorrega, me contando coisas, correndo de uma lado ao outro, aprendendo outras ... foi diferente.
Meu olhar não tinha só tristeza, mas reflexão, reflexão que muitas vezes este mundo é ingrato e aquilo que deveria ser uma bênção é negado a alguns.
Eu acredito em Deus e procuro confiar NEle. Mas nesse caso eu só desejo que Ele volte logo e que possa acabar com estes sofrimentos. Que um dia os pais de minha aluna possam abraçá-la e conversar com ela. Muito mais do que já fazem agora.
Eu não sou muito boa pra escrever nem colocar muito bem meus sentimentos na escrita, mas hj ao vê-la na sala me recebendo com um abraço e seus beijos cheiros me deu esperança.
Ela ficou bastante, chorou depois de um tempo no parque, não quis fazer nenhuma atividade, mas me deu esperança de voltarmos aos dias melhores e quem saber melhores ainda.
O que eu peço é que quem puder, ore por eles em especial, pedindo a Deus paciência, ânimo, coragem, sabedoria, confiança, esperança.
Eles enfrentam lutas todos os dias. Batem palma qd a filha consegue dormir mais de 6 horas por dia (antes ela dormia só 2h e olhe lá), qd ela não chora na escola ou em qqr lugar que eles vão, qd aponta exatamente aquilo que quer e diz num sopro algo parecido com o nome do objeto...enfim....
Orem.
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